“Em um dia qualquer eu estava remexendo em uma das minhas mil gavetas, procurando o meu velho CD dos Los Hermanos. Sem querer eu achei a gente. A gente já tinha morrido pra mim, sabe? Eu juro que eu havia parado de pensar em ti naquela semana mesmo. Mas quando eu achei aquela velha carta sua, parecia que a gente havia voltado a morar dentro de mim. Meu coração soltou fagulhas, e o fogo que eu sentia por você voltou por inteiro. Merda! Eu demorei tanto tempo pra transformar nosso fogo em brasa e ele reacendeu tao rápido. Neste dia eu chorei por você, eu quis ligar pra você, eu quis voltar pra você… Mas eu lembrei do que você me disse quando eu te pedi pra ficar. Você disse que não dá pra ficar quando o amor já foi embora, e eu sabia que te procurar não iria mudar isso. Você nunca iria voltar a me amar. Você não iria voltar a me ligar as três da manha bêbado, você não iria voltar a beijar a minha tatuagem de estrela perto do pescoço, você não iria mais deixar sua toalha molhada na minha cama, você não iria me ensinar a andar de skate, você não iria me trazer comida chinesa quando eu estivesse triste, você não iria me levar pra assistir um filme de terror tipo B, você não iria… Porque você se foi. Neste dia eu dormi chorando e remoendo cada mágoa nossa, e quando eu acordei na outra manhã decidi arrancar a gente de dentro do meu peito. Prometi a mim mesma que nunca mais iria voltar a te amar. Dali em diante comecei a viver anestesiando minha alma com um pouco de tudo, tentando me manter ocupada, saindo todo final de semana, tocando a vida sem você ao meu lado… E hoje quando eu olhei pra sua velha carta não senti mais nada. Apenas pena de você, por ter me perdido, porque eu sei que eu podia ter te feito feliz.”
“Depois de ir tão longe por alguém, desculpe, mas eu não quero mais ninguém.”
— Kaká Reis
“Tenho me sentido legal, mais é um legal tão merecido, batalhado…”
— Caio F. Abreu
“E o amor? Você me pergunta. O amor, ah, sei lá. O amor, nem dá pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos. Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar para a pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-para-ele. É não querer mais ninguém pra dividir as contas e somar os sonhos. É querer proteger o outro de qualquer mal. É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. É sentir que vale à pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro. Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúme, egoísmo, nossas falhas, desajustes, nosso descompasso. O amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. Acho que o amor não é o caminho mais fácil, pois mais fácil seria dizer a-gente-não-se-entende-a-gente-não-combina-tchau-tchau. O amor é uma tentativa eterna. É inexplicável. E se você topar entrar nessa, saiba que o amor encontrou você. Seja gentil, convide-o para entrar.”
— Clarissa Corrêa